Destaques

Entre os destaques da programação da III Cinema Mostra Aids estão a pré-estréia nacional do filme Rent - Os Boêmios, na sessão de abertura da Mostra, e a exibição da produção inglesa Transit, primeiro longa-metragem produzido pela MTV para a televisão, que será seguida de debate. Três filmes com temáticas que têm gerado bastante polêmica também merecem atenção do público. A exibição de campanhas de prevenção ao HIV/Aids nacionais e internacionais é uma novidade na Mostra deste ano.

RENT - OS BOÊMIOS (Rent)   [veja +]

A produção norte-americana de 2005, sob a direção de Chris Columbus, é a primeira adaptação da famosa peça da Broadway para o cinema. Vencedor de inúmeros prêmios, entre eles o Pulitzer de Drama de 1996, o musical Rent - Os Boêmios, de Jonathan Larson, é uma versão atualizada da ópera La Boheme, de Giacomo Puccini.

A comunidade diversificada e não convencional de Rent é composta de indivíduos apaixonados e desafiadores. Trata-se da história de um grupo de boêmios lutando para se expressar através de sua arte e "dando ritmo às suas vidas com o amor". Contrastando o cenário arenoso do bairro de East Village, em Nova York, esses amigos aspiram sucesso e aceitação, enquanto resistem aos obstáculos da pobreza, doença e a epidemia da Aids.

Após ver Rent - Os Boêmios logo que estreou na Broadway, o diretor Chris Columbus (que também dirigiu Esqueceram de Mim, Uma Babá Quase Perfeita, Harry Potter e a Pedra Filosofal, entre outros) ficou tão inspirado que imediatamente começou a planejar a adaptação do musical para um longa-metragem.

Para o elenco, o diretor conseguiu reunir muitos dos atores que viveram seus papéis na Broadway, em 1996,que voltam a reprisar seus papéis na produção realizada para o cinema. O filme deve entrar em cartaz no circuito comercial brasileiro a partir do dia 26 de maio.

TRANSIT (Transit)   [veja +]

Outro destaque da Mostra será a exibição de Transit, primeiro longa-metragem produzido para a TV pelo Staying Alive / MTV Networks International, que estreou em diversos países no dia 1º de dezembro de 2005, Dia Mundial da Luta contra a Aids. O filme será exibido em sessão especial, no encerramento da Mostra, no dia 25 de maio (quinta-feira), às 20 horas, na sala 3. Após a sessão haverá debate com convidados. A entrada é franca e os convites serão distribuídos pela MTV Brasil.

A fita faz parte de uma campanha de prevenção que tem o apoio da Fundação Staying Alive e integra o já conhecido e elogiado compromisso da MTV com a prevenção da Aids entre os jovens.

Transit é uma produção inglesa de 2005, dirigida por Niall MacCormick. Ambientada em quatro países, a trama acompanha o drama e as aventuras de protagonistas que vivem na Cidade do México, Los Angeles, São Petersburgo (Rússia) e Nairóbi (Quênia). Entre os personagens estão a americana Asha, desconfiada da fidelidade do namorado, e o africano Matthew, mergulhado na cultura hip-hop de seu país.

FILMES POLÊMICOS

Alguns títulos polêmicos também compõem a programação, como Alguém Ainda Morre de Aids?; O Presente; e O Outro Lado da Aids. As temáticas abordadas nestas produções revelam questões muito atuais, ainda obscuras e pouco debatidas na epidemia do HIV/Aids. São filmes que geraram controvérsia entre as platéias que já os assistiram.

Para a diretora do curta-metragem Alguém Ainda Morre de Aids? (EUA, 2002, 25min), Louise Hogarth, a epidemia de HIV/Aids não está totalmente controlada. Nesta breve investigação quanto ao risco de mortalidade por causa da doença, numa época em que muitas vidas são salvas graças ao coquetel de medicamentos, a diretora do filme adota uma perspectiva cautelosa sobre o possível declínio de progressão da infecção pelo HIV.

Ela mesma sintetiza a maior preocupação relatada em seu filme: "Descobertas médicas recentes deram nova esperança para aqueles que vivem com a Aids; num tempo quando muitas pessoas perderam um amor, um amigo, um membro da família ou um colega, o medo da doença não deve ser esquecido, nem se deve fazer de conta que ela está sobre controle; ainda há centenas de pessoas vítimas do HIV." O filme questiona também a efetividade de novos tratamentos e alerta para uma "terceira onda" da doença que inclui a mutação do vírus e a associação a um câncer.

Um ano depois, Louise Hogarth realizou outro documentário perturbador; O Presente (EUA, 2003, 62 min). Os protagonistas e as situações que integram a fita têm denominações dissimuladas como bug chasers, gift givers e convention parties, até então restritas a uma parcela fechada e discreta da comunidade gay. A revelação desse mundo sombrio dos que querem ser contaminados pelo vírus HIV (o presente) surpreende, principalmente, pela lógica torta adotada.

Ao buscar a doença voluntariamente e encontrá-las nos "doadores" em potencial (os gift givers soropositivos) nas chamadas festas de conversão, os bug chasers pretendem disseminar a doença e torná-la a regra e não a exceção. Assim, acreditam, poupam a si mesmos e os homossexuais em geral do medo da infecção e das preocupações com o sexo seguro.

Nos depoimentos colhidos de soropositivos ativos, de "vítimas" que se infectaram deliberadamente - há o caso de um jovem arrependido e aterrorizado - ou de grupos de terapia, expõem-se preocupações como a convivência atual com a doença, que colabora também para gerar idéias distorcidas e equivocadas.

A premissa do documentário O Outro Lado da Aids (EUA, 2004, 87 min) é no mínimo controversa e fez alarde nos festivais em que foi exibido. O diretor Robin Scovill explora a teoria de que o vírus HIV não é o agente causador da Aids. Como argumento inicial, ele traz o exemplo da mulher Christine Maggiore, soropositiva que se mantém saudável desde 1992 sem tomar medicamentos. Cita, inclusive, que os dois filhos do casal, amamentados pela mãe, também não foram medicados e mantêm-se imunes à doença.

A filme busca, então, depoimentos semelhantes de mais dez adultos infectados, alguns sob efeito dos coquetéis, outros não. São apresentados também casos de crianças que tornaram-se alvo de disputas entre pais soropositivos e a Justiça, o que envolve a polêmica se elas devem ser tratadas antecipadamente ou não.

São ouvidos ainda especialistas, médicos e políticos responsáveis pelas ações governamentais. Até a banda Foo Fighters, responsável pela trilha sonora, tem sua vez como promotora de informações alternativas sobre a Aids.

ANTES DE CADA FILME, CAMPANHAS DE PREVENÇÃO

Este ano, a III Cinema Mostra Aids traz uma novidade: a apresentação de campanhas de prevenção ao HIV/Aids nacionais e internacionais antes da exibição de cada filme. São cerca de 20 spots, produzidos no Brasil e no exterior, com campanhas realizadas em diferentes épocas, sendo algumas voltadas para públicos específicos, mais vulneráveis à infecção pelo HIV/Aids.

Serão exibidos, por exemplo, cerca de dez campanhas de prevenção veiculadas pela MTV, que de longa data tem um compromisso com a prevenção da Aids entre o público jovem. Campanhas realizadas pelo Programa Nacional de DST/Aids do Ministério da Saúde para veiculação nos meios de comunicação do país e trabalhos produzidos no exterior completam o acervo que será apresentado durante a programação da Mostra.

Polêmica - Nos contatos mantidos com o PN DST/Aids, o Grupo Pela Vidda/SP descobriu que uma das peças das campanhas de prevenção à Aids realizadas pelo programa está proibida pelo Conar (Conselho Nacional de Auto-Regulamentação Publicitária). Trata-se de um filme de uma campanha dirigida aos homossexuais, veiculado durante pouco mais de uma semana em 2002, em horário nobre da TV.

O filme trazia a seguinte cena: um pai atende à porta e dispensa um rapaz dizendo que o filho não quer mais saber dele. De volta à sala, diante do filho inconsolado o pai informa que o rapaz já foi embora. "Você encontrará outro, não fique triste." A mãe ao lado do filho, complementa de forma acolhedora: "Outro que use camisinha...". No final a mensagem "Respeitar as diferenças é tão importante quanto usar camisinha."