I MOSTRA DE FILMES - PUBLICITÁRIOS E AIDS

Evento inédito no Brasil, o Grupo Pela Vidda/SP promove a I Mostra de Filmes Publicitários e Aids, uma seleção de campanhas realizadas em todo o mundo. No total, são 71 filmes publicitários, provenientes de 20 países.

Eles integram campanhas de prevenção e de informação veiculadas principalmente na televisão e na internet. São, em sua maioria, filmes de 30 segundos de duração, que revelam imensa diversidade cultural, mostram a evolução de linguagem e de conteúdo das campanhas e formam um importante painel sobre as múltiplas formas de abordagens do HIV e da aids nesta mídia.

Dividida em quatro blocos, que referem-se a procedência dos trabalhos - Brasil, América Latina, Estados Unidos/Canadá e Europa, a Mostra exibe tanto filmes de campanhas governamentais como títulos produzidos sob encomenda para organizações não-governamentais e para a iniciativa privada.

Dentre as fontes de pesquisa para a seleção dos filmes, destacam-se festivais publicitários realizados ao redor do mundo, acervos de agências de publicidade, vídeos disponibilizados na Internet, e outras duas iniciativas da maior relevância neste universo: Vhideo America, uma coletânea de campanhas realizada por países latino-americanos e caribenhos, que a Organização Pan-americana de Saúde (OPAS) lançou em 2007, e Aids Remember-me, concurso de filmes sobre aids produzidos por países europeus, realizado pela União Européia em 2006. No Brasil, foram selecionadas, entre outras, campanhas realizadas pelo Ministério da Saúde, pela MTV e por ONGs.

Com filmes realizados a partir dos anos de 1990, é possível identificar, nesta seleção, a evolução da produção publicitária, que acompanhou a evolução da doença, em constante movimento e transformação.

No início da epidemia, as campanhas associavam aids à morte e, por isso, disseminavam o terror e a desinformação. Em seguida, deram lugar a filmes publicitários com conteúdos variados, que passaram a divulgar a eficiência do preservativo e a prática do sexo seguro. Focalizam-se no HIV e nas Doenças Sexualmente Transmissíveis, mas também abordam o respeito aos direitos humanos e à diversidade. E ainda há aquelas que promovem a auto-estima, combatem o preconceito e são instrumentos de ativismo político da sociedade civil.

Dirigindo-se a públicos específicos - jovens, mulheres, homossexuais, usuários de drogas, dentre outros -, as campanhas referem-se também aos espectadores em geral. Com drama, humor, erotismo ou didatismo, há campanhas tradicionais, conservadoras, e outras mais irreverentes, criativas, polêmicas, algumas até mesmo chocantes.

A Mostra não tem qualquer intenção de fazer juízo de valores, mas apenas promover o debate e o intercâmbio de melhores práticas de comunicação e de publicidade voltadas para novas formas de enfrentamento da epidemia da aids.

O papel determinante das campanhas sobre HIV e aids está comprovado na difusão de informações, atitudes, práticas e comportamentos desde que façam parte de uma abordagem mais ampla, que requer igualmente programas de educação sexual, apoio e aconselhamento.

No Brasil, as campanhas sobre HIV e aids ainda são sazonais, exibidas principalmente na época do Carnaval e por ocasião do Dia Mundial de Luta Contra a Aids. Não há dúvida de que a prevenção, através da sensibilização e da educação, precisa ser intensificada, já que o potencial mobilizador dessas ações não foi totalmente explorado até agora.

Este é o propósito maior da I Mostra de Filmes Publicitários e Aids, que será levada a outros centros e pretende crescer a cada edição, que planeja-se anual, ao lado de Cinema Mostra Aids, outra iniciativa bem sucedida do Grupo Pela Vidda/SP. Assim como o cinema, fica nossa convicção de que também a publicidade e os meios de comunicação podem cada vez mais exercer o papel de aliados importantes na luta contra a aids, uma epidemia que não acabou.