Filmes

A VIAGEM
O TOQUE DO TAMBOR
CICLOS DA VIDA
CINCO HEROIS
CRÔNICAS DE UMA CATASTROFE ANUNCIADA
DEPOIS DAQUELE ENCONTRO
XPRESS
JEANNE E O RAPAZ DOS SONHOS
O EVENTO
UMA SEMANA
PRINCESAS
JUNTOS PELA VIDA
SEM GARANTIA DE VALIDADE
SENSAÇÕES
SEXPRESS
TUDO CONTRA LÉO
TRÊS IRMÃOS DE SANGUE
UMA CASA NO FIM DO MUNDO
UNIDOS PELO SANGUE
NÓS SOMOS PAPAIS
AFETADO: O PROJETO AIDS
ALTO RISCO
CERTAS COISAS
CIRANDA
OVO
LUCKY
BABY, BABY

CINEMA MOSTRA AIDS 10 a 17 de abril de 2008

A Viagem (The Trip)
(EUA, 2002, 94min)
Direção: Miles Swain

Alan (Larry Sullivan) é um jornalista recém-formado e tipo conservador até encontrar Tommy (Steve Braun), ativista dos direitos dos homossexuais. A princípio, a aproximação é justificada pela intenção do primeiro, por declaração hetero, de escrever um livro sobre os gays. Mas rapidamente a relação embala num romance que tem início em 1973 e atravessa os anos 80, pretexto para o diretor Miles Swain representar o painel de mudanças da liberdade sexual e o surgimento das primeiras mortes pelo vírus HIV. De forma muitas vezes bem-humorada, sem uma preocupação explícita de engajamento, essa realidade é espelhada pelas diferenças nas trajetórias dos protagonistas e no debate nacional sobre homossexualidade em torno deles.

 
 

O TOQUE DO TAMBOR (Beat the Drum)
(África do Sul-EUA, 2003, 114min.)
Diretor: David Hickson

Num vilarejo pobre da África do Sul, uma estranha doença está dizimando os habitantes, que encaram o problema como maldição e tentam combatê-lo com feitiçaria. Orfão de mãe, o garoto Musa (Junior Singo) vê o pai agonizar no leito e depois da morte deste decide partir para Joanesburgo, a maior cidade do país, a procura do tio. Sempre com seu tambor presenteado pelo pai, Musa passa, então, a elo de ligação com os demais personagens desse drama. O caminhoneiro e pai de família que dá carona ao garoto, por exemplo, tem o hábito de fazer sexo com prostitutas e recusa-se a usar camisinha tanto com elas como com a mulher. Seu patrão, representante do clã branco na história, também começa a testemunhar a tragédia da doença ao assistir seus funcionários com sintomas desconhecidos até saber que seu próprio filho foi diagnosticado como soropositivo. Mas o cenário mais desolador está nas ruas e seus moradores miseráveis que Musa conhecerá de perto. Com a experiência, ele tentará avisar seus conterrâneos da verdadeira razão das mortes locais. A boa intenção da fita, ainda que traga poucas novidades em sua abordagem, justifica-se pela mensagem clara de denúncia da epidemia de aids que começava a se alastrar.

^TOPO^

 
 

CICLOS DA VIDA - A história da aids no Malaui (Lifecycles: a Story of AIDS in Malawi)
(Malawi, 2003, 52min)
Diretor: Sierra Bellows e Doug Karr

 

O drama que afeta o Malaui, pequeno país da África Oriental, complementa o quadro igualmente trágico apresentado no documentário Cinco Heróis, título presente na programação da mostra e que engloba a África do Sul e o Botsuana. A rigor, não há muitas diferenças na epidemia de aids que assola as nações africanas, mas a dupla de diretores Sierra Bellows e Doug Karr toca em pontos essenciais nem sempre explorados. Ao percorrer durante oito meses o Malaui, onde morrem duzentas pessoas por dia infectadas pelo HIV, os realizadores lembram questões culturais e religiosas. Há o fato, por exemplo, de um homem ter várias esposas e não raro infectar todas, tragédia que se estende aos filhos. Outra preocupação das entidades de combate à doença está na tradição do povo de procurar um curandeiro antes mesmo de um hospital e acreditar na cura da doença. Médicos, líderes governamentais e religiosos, ativistas e vítimas do HIV dão seu depoimento com a música de Bobby McFerrin ao fundo.

 

 

CINCO HERÓIS (5 Heroes of Aids in Africa)
(EUA/Africa, 2004, 60min.)
Diretor: Neil Halloran

 

O drama que afeta o Malaui, pequeno país da África Oriental, complementa o quadro igualmente trágico apresentado no documentário Cinco Heróis, título presente na programação da mostra e que engloba a África do Sul e o Botsuana. A rigor, não há muitas diferenças na epidemia de aids que assola as nações africanas, mas a dupla de diretores Sierra Bellows e Doug Karr toca em pontos essenciais nem sempre explorados. Ao percorrer durante oito meses o Malaui, onde morrem duzentas pessoas por dia infectadas pelo HIV, os realizadores lembram questões culturais e religiosas. Há o fato, por exemplo, de um homem ter várias esposas e não raro infectar todas, tragédia que se estende aos filhos. Outra preocupação das entidades de combate à doença está na tradição do povo de procurar um curandeiro antes mesmo de um hospital e acreditar na cura da doença. Médicos, líderes governamentais e religiosos, ativistas e vítimas do HIV dão seu depoimento com a música de Bobby McFerrin ao fundo.

 

 

CRÔNICA DE UMA CATÁSTROFE ANUNCIADA (Chronique d'une Catastrophe Annoncée)
(EUA/ França, 2001, 52 min.)
Diretor: Philip Brooks

A epidemia de aids ameaça a humanidade, em especial o continente africano, mesmo depois de mais de 20 anos de existência da doença. Este documentário investiga quais as razões de indivíduos, instituições e governos não conseguirem combatê-la, ainda que diante da urgência de uma catástrofe anunciada em escala planetária. Ao buscar na África e em outros pontos do mundo aqueles que se engajam na luta pela vida, a fita obriga a um olhar mais próximo das realidades políticas, algumas vezes cínicas. Resta uma interrogação sobre a capacidade coletiva de crer num mundo igualitário e solidário.

 
 

DEPOIS DAQUELE ENCONTRO (Phir Milenge)
(Índia, 2004, 145min)
Diretor: Revathi Menon

Seria um típico exemplar de "Bollywood" (a Hollywood da Índia, maior produtora de filmes do mundo), com romance, tom melodramático e performances musicais misturando-se ao enredo, não fosse o fato de ser o primeiro título lançado no país a abordar a questão da aids. A presença de estrelas locais no elenco chamou a atenção e ajudou a popularizar o projeto, apoiado e elogiado pelo UNAIDS (Programa das Nações Unidas sobre HIV/Aids). São quase dois filmes em um, com uma perspectiva que lembra o embate de Filadélfia (2000). Na primeira parte, a jovem e bem-sucedida publicitária Tamanna (Shilpa Shetty) reencontra um antigo amor e descobre que está infectada pelo HIV. Demitida, acredita que o dono da empresa a afastou devido à doença. Parte, então, para o tribunal, drama da hora e meia seguinte da fita. Temas como a transmissão do vírus, auto-estima, discriminação e os direitos humanos podem não ser novidade para o Ocidente, mas apontam indícios do pouco esclarecimento sobre a doença entre essa populosa nação.

 
 

XPRESS
(Brasil, 2007, 45min)
Diretor: Mauro Dahmer

A partir do mesmo formato de co-produção - a MTV brasileira, a MTV latino-americana e sua versão baseada no Caribe, a Tempo, com apoio da Unicef e Fundação Staying Alive - o diretor Mauro Dahmer fez um desdobramento de seu documentário anterior , Sexpress Yourself, também escalado para a mostra. Mantem-se também a base dos três países (Brasil, Jamaica e México) onde a produção colhe depoimentos de jovens sob temas como violência, drogas, prevenção sexual e, neste caso, também política e desigualdade. A diferença principal aqui é que o rapper MV Bill assume o papel de destaque e conduz o espectador a uma visita às favelas cariocas Cidade de Deus e Complexo do Alemão. O tom musical prossegue também com a participação de Tanya Stephens e Ras Kassa.

 
 
 

JEANNE E O RAPAZ DOS SONHOS(Jeanne et le Garçon Formidable
(França, 1998, 98min)
Diretor: Olivier Ducastel e Jacques Martineau

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A mesma dupla de diretores que filmaria dois anos depois A Família de Félix, sobre um rapaz que vive com aids em busca de suas raízes, assina esse híbrido de musical, drama romântico e fita militante. A fórmula de intercalar canções aos diálogos remete ao clássico do cinema cantado Os Guarda-Chuvas do Amor (1964), do francês Jacques Demy. O filho do cineasta, Mathieu Demy, interpreta o jovem Olivier, ex-viciado em heroína e portador do vírus HIV. Depois de um encontro casual no metrô, Jeanne (a gracinha Virginie Ledoyen), garota de muitos amores, apaixona-se pelo rapaz. Mas o relacionamento entra em crise quando a doença de Olivier progride. A trama dá a deixa para manifestações públicas dos ativistas do Act Up, organização de combate à doença, num momento em que a política governamental era precária e ainda eram mais limitadas as chance de sobrevivência para os infectados, pois ainda estava no início a era dos coquetéis.

 

O EVENTO (The Event)
(EUA, 2003, 110min)
Diretor: Thom Fitzgerald

Infectado pelo vírus HIV em 2000, Matt (Don Mckeller) decide abreviar seu sofrimento e opta pelo suicídio. Os amigos mais próximos oferecem a ele uma festa de despedida e em seguida assistem a sua morte. Passam, assim, a ser cúmplices do ato final e suspeitos para uma promotora de Manhattan, Nick (Parker Posey), que entra em cena para investigar o caso. A suspeita maior recai sobre Brian (Brent Carver), melhor amigo de Matt e diretor de uma instituição de ajuda a soropositivos. Mas a investigadora também confronta familiares de Matt, como as irmãs e sua mãe (Olympia Dukakis), epicentro do drama do clã. O diretor Thom Fitzgerald (Unidos pelo Sangue) lança mão de um recurso impactante sobre o direito de um doente terminal de pôr fim a própria vida e a partir dele contextualiza um período confuso e estigmatizado da aids.

 
 
UMA SEMANA (One Week)
(EUA, 2001, 97min)
Diretor: Carl Seaton

Filme independente americano com elenco negro reafirma a necessidade de falar diretamente à comunidade sobre prevenção e a possível convivência com a aids. Os atores principais estão envolvidos também na produção e no roteiro. Num bairro de Chicago, Varon (Kenny Young) e Kyia (Saadiqa Muhammad) estão a uma semana do casamento quando ele fica sabendo que seu nome aparece numa lista de prováveis infectados pelo vírus HIV. Seu melhor amigo recebe a mesma notícia de uma agente de saúde e convence Varon a procurar pela garota que provavelmente os infectou. Enquanto aguarda pelo resultado final do exame de HIV, o noivo vive o dilema de contar ou não o drama à futura esposa e enfrenta novos incidentes não menos problemáticos.

 

PRINCESAS (Princesas)
(Espanha, 2005, 113min)
Diretor: Fernando Leon de Aranoa

Caye (Candela Peña, de Tudo Sobre Minha Mãe) é uma prostituta de classe média de Madri que esconde da família sua real ocupação. Zulema (Micaela Nevaréz) é uma imigrante dominicana que deixou a mãe e o filho em Santo Domingo para ganhar a vida ilegalmente na Espanha. Por conta da mesma profissão, as duas desenvolvem ao longo da trama uma amizade baseada na cumplicidade e no desejo de realizar seus sonhos. São personalidades distintas: enquanto Zulema é mais realista, Caye é uma sonhadora, que espera ter um trabalho fixo e um marido que irá esperá-la ao fim do expediente. Essa possibilidade ocorre quando ela conhece Manuel (Luis Callejo), um especialista em informática, que a deslumbra diante de coisas simples que nunca viveu. Ao mesmo tempo, ambas gostam de filosofar sobre a infância, saudade e existência. Em meio a esse painel pessoal, a vida fornece alguns ingredientes realistas, como a aids, a violência e o machismo.
 
 
 
JUNTOS PELA VIDA (Life Support)
(EUA, 2007, 88min)

Diretor: Nelson George

A presença da estrela negra Queen Latifah incrementa essa produção baseada numa história real e com fôlego dramático por si só. Ela interpreta Ana - na vida real é Andrea Williams - ex-viciada em drogas e soropositiva que tornou-se uma ativista no alerta da aids pelas ruas do Brooklyn. Na vida pessoal, Ana tenta equilibrar uma delicada equação entre a nova família, formada por seu segundo marido e a caçula, e a pós- adolescente Kelly, filha do primeiro casamento que cresceu com a avó depois que a mãe perdeu o direito sobre sua guarda. As três mulheres vivem às turras até que a necessidade de ajudar um amigo de Kelly, um jovem com HIV abandonado à própria sorte, serve de pretexto para um possível acerto de contas. Além da trama central, a fita contempla rapidamente dramas paralelos, tanto pelos depoimentos de mulheres no grupo de terapia do qual Ana participa, como na entidade de apoio em que ela trabalha.


 

SEM GARANTIA DE VALIDADE (No Magic Bullet)
(Inglaterra, 2007, 58min)
Diretor: Jaime Sylla

As questões levantadas pelo documentário não chegam a ser novas, mas atualizam o cenário da epidemia da aids e, principalmente, focam a Inglaterra, país pouco representado na cinematografia sobre o assunto. Profissionais de saúde, educadores, acadêmicos, especialistas da medicina e pessoas que vivem com HIV oferecem um parâmetro da situação da doença no momento e debatem a razão do aumento da infecção entre gays, o efeito da internet na prática sexual e a eficiência da educação sexual no contexto inglês. O filme acompanha ainda um jovem que fará o teste de HIV pela primeira vez. Sexo seguro e o significado de viver na dependência do coquetel de drogas também estão na pauta.

 

SENSAÇÕES - A HISTÓRIA DA AIDS NA ARGENTINA (Sensaciones - Historia del Sida en la Argentina)
(Argentina, 2006, 80min)
Diretor: Hernán Aguilar

A Argentina, em que pese a simples existência deste documentário, não viveu de forma muito diferente o impacto do aparecimento da aids em comparação aos seus vizinhos latino-americanos. Ou seja, deu-se conta tardiamente da tragédia e demorou a tomar medidas importantes de conscientização, prevenção e tratamento em larga escala a partir de projetos governamentais. Como é habitual, iniciativas de alerta à população e apoio às vítimas ficaram por conta de associações particulares e grupos de voluntários engajados, a exemplo de uma organização voltada para as lésbicas. Num formato que une cenas ficcionais e depoimentos de especialistas, autoridades do governo e soropositivos, o filme acompanha os avanços conquistados num lento e penoso processo. Conta, entre outras passagens, a luta de um jornalista infectado em montar um hospital dedicado apenas aos portadores de HIV e que hoje leva seu nome, além da talvez tardia lei federal que garante assistência aos doentes.

 

SEXPRESS YOURSELF
(EUA, 2006, 60min)
Diretor: Mauro Dahmer

O documentário reúne três adolescentes - um brasileiro, um mexicano e um jamaicano - e suas opiniões sobre sexo, drogas, rock, machismo, homofobia e hipocrisia. Em pauta também, questões como a prevenção do vírus HIV. Participam ainda da produção o escritor Eduardo Bueno, os jornalistas André Fischer e Madela Bada, o coreógrafo jamaicano Conroy Wilson e o fotógrafo mexicano Gonzalo Morales. O registro foi produzido pela MTV brasileira em parceria com a MTV latino-americana e sua versão baseada no Caribe, a Tempo, com apoio da Unicef e da Fundação Staying Alive.

 
TUDO CONTRA LEO (Tout Contre Léo)
(EUA, 2004, 97min)Diretor: Christophe Honoré

Antes de realizar o ótimo Em Paris (2006), já exibido no circuito brasileiro, e Canções de Amor (2007), previsto para chegar em breve às salas de cinema, o diretor francês Christophe Honoré assinou esse delicado drama. O cenário é uma pequena cidade no litoral da Bretanha, região onde o cineasta nasceu e lar perfeito para um casal e seus quatro filhos. Leo (Pierre Mignard) é o mais velho. Aos 21 anos e gay, ele anuncia à mesa que seu teste para HIV resultou positivo. A harmonia do clã sofre um abalo, mas só o suficiente para todos se unirem mais em apoio a Leo - exceto o caçula de 12 anos Marcel (o ótimo Yannis Lespert), que embora poupado da notícia pelos pais e irmãos, acaba por ouvir tudo atrás da porta. A partir daí, a trama se desenrola através dos olhos do garoto, não só em relação às possíveis consequências dramáticas da doença, mas também às experiências típicas da idade de um pré-adolescente. São momentos de pausa na linha dramática, a exemplo da viagem a Paris de Leo e Marcel, que dão equilíbrio ao filme. A boa trilha sonora inclui o cantor Lloyd Cole e músicas de Alex Beaupain, parceiro habitual de Honoré.

 

TRÊS IRMÃOS DE SANGUE
(EUA, 2005, 104min)
Direção: Angela Reiniger

 

Um ano depois de lançar a pergunta Alguém Ainda Morre de Aids? no curta-metragem homônimo selecionado também para esta mostra, a diretora Louise Hogarth realizou este outro documentário perturbador. Os protagonistas e as situações que integram a fita têm denominações dissimuladas como bug chasers, gift givers e convention parties, até então restritas a uma parcela fechada e discreta da comunidade gay. A revelação desse mundo sombrio dos que querem ser contaminados pelo vírus HIV (o presente) surpreende, principalmente, pela lógica torta adotada. Ao buscar a doença voluntariamente e encontrá-las nos "doadores" em potencial (os gift givers soropositivos) nas chamadas festas de conversão, os bug chasers pretendem disseminar a doença e torná-la a regra e não a exceção. Assim, acreditam, poupam a si mesmos e os homossexuais em geral do medo da infecção e das preocupações com o sexo seguro. Nos depoimentos colhidos de soropositivos ativos, de "vítimas" que se infectaram deliberadamente --- há o caso de um jovem arrependido e aterrorizado --- ou de grupos de terapia expõem-se preocupações como a convivência atual com a doença, que colabora também para gerar idéias distorcidas e equivocadas.

 

UMA CASA NO FIM DO MUNDO (A Home at the End of the World)
(EUA, 2004, 97min)
Diretor: Michael Mayer

 

A aids entra como mais uma nota melancólica nessa trama plena de melancolia, com roteiro do escritor Michael Cunningham (As Horas), baseado em seu livro homônimo de 1990. A começar pela triste sina do jovem Bobby Morrow (Farrell), que na adolescência testemunhou a morte de seus pais e do irmão mais velho em momentos diferentes e foi criado pela família do melhor amigo, Jonathan (Roberts). Quando este, desprendido e gay, decide mudar-se da tranquila Cleveland para Nova York, Bobby o segue e a dupla logo torna-se um trio com a entrada em cena da experiente e nada convencional Clare (Robin Wright Penn). Morando juntos, eles passam a dividir seus problemas, suas visões diferentes da vida, e eventualmente a cama, num período de transformação e novos desafios trazidos pelos anos 80.

 

UNIDOS PELO SANGUE (3 Needles)
(Canadá, 2005, 127min)
Diretor: Thom Fitzgerald

 

O diretor Thom Fitzgerald (Beefcake) realizou, dois anos antes, o drama de toques policiais The Event, também presente na programação da mostra. Aqui, ele assina um painel dramático de como a transmissão do HIV mantém sua evolução sob a sombra da ignorância, pobreza, preconceito e herança cultural a partir de três histórias de países diferentes. Shawn Ashmore interpreta um ator pornô canadense soropositivo que para continuar na carreira falsifica seus exames de HIV. Na China, uma suposta agente do governo (Lucy Liu) colhe sangue de moradores de vilarejos pobres em troca de algum dinheiro e vende a coleta no mercado negro. Quando uma família fica doente, sua ação é investigada. Por fim, três freiras cuidam de infectados pelo vírus na África, mas o foco do episódio recai sobre a personagem de Chlöe Sevigny e o sacrifício de sua castidade para garantir as provisões necessárias para os doentes.

 

NÓS SOMOS PAPAIS (We Are Dad)
(EUA, 2005, 68min)
Diretor: Michel Horvat

 

O universo das crianças que vivem com HIV une-se neste documentário ao tema controverso da adoção por homossexuais. Os personagens são Roger, Steven e os cinco bebês infectados pelo HIV que o casal acolheu em diferentes momentos e cria há 17 anos. Ex-enfermeiros da ala de pediatria de um hospital em Miami, eles acompanharam o drama desses recém-nascidos abandonados e deram-lhes um lar, enfrentando não só o preconceito de sua opção sexual e da aids, mas também racial, na medida em que três dos "filhos" são negros. A batalha maior, no entanto, não é a exigente rotina pelo conforto e saúde das crianças, mas a que se dá na esfera legal, já que o estado da Flórida não reconhece o direito de adoção aos gays. Na tentativa de dar andamento a um novo processo na justiça americana, a família mudou-se para o estado do Oregon.

 

AFETADO - O PROJETO AIDS (Affected: The Aids Project)
(EUA, 2006, 30 min)
Diretor: Gianni-Amber North

 

Nunca custa repetir as regrinhas básicas de prevenção, como faz esse curta-metragem assumidamente ativista, lançando mão de uma história recorrente mas eficaz. O elenco negro é raro em produções como essa, uma característica da atual edição da mostra. Akilah (Winnie Young) e Shaun (Theodore Perkins) chegam aos quatro meses de namoro sem terem feito sexo. Depois de suas constantes negativas, ela abre o jogo e pede ao nervoso e confuso namorado que faça seu primeiro teste de HIV. Ele se recusa, acredita que não teve relacionamentos suficientes para ter corrido risco etc. De sua parte, a jovem não quer arriscar tudo só na camisinha. Instala-se o dilema, enquanto Akilah apoia um amigo soropositivo e Shaun recebe algumas lições de um amigo que trabalha numa clínica médica.

 

ALTO RISCO (Alto Riesgo)
(Espanha, 2007, 10min)
Diretor: Nahuel Losada

 

Ao mesmo tempo que confronta seus medos e dúvidas com o anúncio de um novo e resistente vírus da aids, um jovem apaixona-se pelo homem que pode ser o paciente zero da ameaça. Ele encara, então, uma viagem onírica ao coração do desconhecido e a própria incapacidade de amar.

 

CERTAS COISAS
(Brasil, 2006, 19min)
Diretor: Claudio Maneja Jr.

 

Para fugir de sua dor e da solidão, Felipe cria um mundo particular onde consegue diferenciar as pessoas, com aspereza e poesia, por meio de lentes de estranhos óculos. Nesse curta-metragem, o preconceito, o medo de ficar só e a difícil tarefa de recomeçar são os desafios que o protagonista tem de enfrentar.

 

CIRANDA
(Brasil, 2007, 3 min)
Diretor: Rafaela Dias

 

Uma menina de dez anos altera o cotidiano de dez pessoas, que passam a ter suas vidas interligadas por histórias em torno da aids.

 

OVO (Ovo - das Video)
(Alemanha, 2005-2006, 17 min)
Diretor: Michael Brynntrup

 

Christoph Josten, ou Ovo Maltine, morreu em 8 de fevereiro de 2005, em Berlim, onze semanas depois de ser diagnosticado com um câncer linfático. A lendária drag queen sobreviveu ao virus HIV por treze anos. Dedicou-se a causas como a ajuda a gays vítimas de todo tipo de agressão, a legalização da maconha, o reconhecimento da prostituição como profissão, a visibilidade dos transgêneros, a eventos em benefício a pessoas que vivem com HIV e a entidades como Act Up.

 

LUCKY (Lucky)
(França/África do Sul/Inglaterra, 2005, 20min)
Diretor: Avie Luthra

 

No premiado drama de curta-metragem, Lucky é um garoto órfão sul-africano que vive com HIV que sonha em sair de seu vilarejo de etnia zulu para Durban, uma das grandes cidades do país. Enquanto isso, ele aprende muito sobre a vida ao ter um inesperado encontro com uma vizinha indiana. Além do tema da aids, a fita também aborda o delicado universo de convivência entre o povo sul-africano e os imigrantes de origem hindu com seu rigoroso sistema de castas.

 

BABY, BABY França, 2005, 3min37s
(Alemanha, 2005-2006, 17 min)
Diretor: Erik Vervroegen

 

Sucesso na Internet, o filme animado produzido pela ONG francesa AIDES para incentivar o uso de preservativo traz roteiro lúdico e criativo, e é uma peça rara de prevenção dirigida a mulheres jovens, população cada vez mais exposta ao risco de infecção pelo HIV em todo o mundo.