Ativista declara ser importante que o Brasil produza versões genérica das pílulas “3 em 1” aprovada pela FDA

A FDA, órgão do governo americano que supervisiona os mercados de comida e remédios, aprovou nesta quarta-feira, 12, uma pílula chamada a tripla , combinando três drogas que já formam um dos tratamentos mais receitados contra o vírus e a aids: o tenofovir, a emtricitabina e o efavirenz. Espera-se o medicamento chegue ao mercado americano dentro de sete dias úteis, porém o preço não é acessível: o remédio será caro: mais de US$ 1.000 por um mês de tratamento. A droga também estará disponível para os países que recebem ajuda do Plano de Emergência do Presidente Bush para o Alívio da Aids (PEPFAR). Há menos de 15 dias, a FDA já havia aprovado outra combinação (zidovudina+lamivudina+nevirapina), esta uma versão genérica fabricada pela Índia. A notícia foi bem recebida pelos ativistas do movimento de Aids e por profissionais de saúde, mas a acessibilidade às novas drogas é uma preocupação comum a todos.

Para o Representante da Campanha de Acesso a Medicamentos Essenciais da ONG Médicos Sem Fronteiras, Michel Lotrowska, “a notícia é boa, mas tem que saber qual vai ser o preço e quem vai ter acesso. São as duas perguntas que a gente sempre faz. É muito cedo para dizer alguma coisa, precisamos mais informações.” Lotrowska disse ainda esperar que os medicamentos sejam registrados nos países que mais precisam. “No caso da combinação tenofovir, emtricitabina e efavirenz, são remédios patenteados nos países que precisam, o que pode restringir seu uso à Europa e EUA, o que seria uma pena. Antes os medicamentos de primeira linha não eram patenteados e os de segunda sim. Hoje isso mudou um pouco, o tenofovir é de primeira linha, mas é patenteado,” acrescentou.

Ele contou que uma terapia de primeira linha é comprada pela Fundação Clinton por US$ 130/ano. “Comparando os preços, você pode tirar suas próprias conclusões. Provavelmente, não é isso que o PEPFAR (Programa do Presidente Bush para o Alívio da Aids) vai pagar para distribuir nos países em desenvolvimento.. Tudo vai depender do preço pelo qual será comercializada. No caso da outra combinação (zidovudina+lamivudina+nevirapina), ela é produzida pela Índia e é um genérico por natureza, foi feita para ser vendida em países em desenvolvimento. Mas por enquanto o que temos são mais perguntas do que respostas,” concluiu.

O integrante do Grupo Pela Vidda de São Paulo, Mário Scheffer, declarou que “qualquer iniciativa que leve os pacientes a terem uma qualidade de vida melhor e possibilita uma maior adesão ao tratamento, é sempre bem-vinda. Isso tem um impacto importante no cotidiano do paciente e na adesão.” No entanto, o ativista ressalta que “junto com isso, é preciso avaliar o impacto dessa novidade na política brasileira de anti-retrovirais. O importante é que essas combinações sejam disponibilizadas como genéricos. Se fazem parte da combinação remédios patenteados, é necessário que o Brasil passe a produzir esses medicamentos isoladamente e também na forma combinada. Agora se isso for uma jogada da indústria farmacêutica para apresentar um remédio mais caro, isso pode ter um impacto no Programa Nacional que não vai se sustentar,” advertiu.

“Quanto mais facilitado o esquema terapêutico, melhor, mas isso não garante a adesão de ninguém. Os serviços devem continuar priorizando o trabalho de adesão,” frisou a infectologista do Centro de Referência e Treinamento em DST/Aids de São Paulo (CRT-DST/Aids), Dra. Denise Lotufo. Acho que a gente tem que buscar a dose única, desde que isso não comprometa a manutenção do Programa Nacional. Ela informou que no Brasil estão disponíveis o tenofovir e o efavirenz, mas não a emtricitabina, porém existe o 3TC, que tem função semelhante. Isto significa que o paciente tem que tomar 4 comprimidos por dia, um do tenofovir, um do efavirenz e dois de 250mg do 3TC. “Diminuir para uma dose diária seria ótimo, isso faz diferença, mas o importante é que nós temos opção”, afirmou Lotufo.

Programa Nacional

O Chefe da UAT (Unidade de Assistência e Tratamento) no Programa Nacional de DST/Aids, Orival Silveira, afirma que o Brasil tem prioridade no desenvolvimento nacional. "A prova disso é que investimos na Farmanguinhos há 2 anos para a produção brasileira de medicamentos. Desde janeiro de 2005, o laboratório pesquisa uma combinação e fabricação do AZT (zidovudina), 3TC e da nevirapina (mesma substância usada na Índia) em uma mesma pílula", conta.

O profissional não descarta a importação do medicamento aprovado nos EUA, mas alerta que ainda pode demorar pois o mesmo deve ser aprovado pela Anvisa no Brasil.

"O PN sempre fica atento para oferecer qualidade aos pacientes, mas temos um orçamento para isso. O preço deste medicamento, sem dúvida, é passível de negociação. O Brasil é um grande consumidor e prova disso foi a redução em 50% do preço do tenofovir", finaliza.

Fonte: Agência de Notícias da Aids.
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