Finalmente, SUS vai tratar lipodistrofia

Após várias reivindicações das ONGs e pessoas vivendo com HIV/Aids, o Ministério da Saúde decidiu, finalmente, oferecer o tratamento para a lipodistrofia, efeito colateral bastante comum em quem toma o coquetel de medicamentgos anti-HIV, que provoca acúmulo ou perda de gordura em regiões do corpo. Até então somente clínicas particulares estavam realizando os procedimentos reparadores, mas poucos pacientes podiam pagar.

Confira a seguir a nota divulgada pelo Programa nacional de DST/Aids no dia 2 de dezembro de 2004:

O Ministério da Saúde incluirá na tabela do Sistema Único de Saúde (SUS)
oito novos procedimentos indicados para portadores do vírus HIV que sofrem
com a lipodistrofia. Todos as novas intervenções são cirurgias estéticas e reparadoras, de pequeno e médio portes. De acordo com a portaria, a indicação dos procedimentos seguirá recomendações definidas pelo Programa Nacional de DST e Aids. O documento também estabelece prazo de 60 dias para elaborar protocolos de indicação das cirurgias e formulários de preenchimento obrigatório, que serão anexados ao prontuário médico dos pacientes.

Os novos procedimentos são:

  1. Lipoaspiração de giba (gordura acumulada na base do pescoço, que deixa os pacientes corcundas).
  2. Lipoaspiração da parede abdominal.
  3. Redução mamária.
  4. Tratamento da ginecomastia.
  5. Lipoenxertia (enxerto de gordura) de glúteo.
  6. Reconstrução glútea.
  7. Preenchimento facial com tecido gorduroso.
  8. Preenchimento facial com polimetil.

Complicações - Muitos efeitos da lipodistrofia são irreversíveis. As alterações anatômicas decorrentes do uso dos anti-retrovirais podem afetar o funcionamento de músculo-esquelético, além de causarem escaras e problemas na coluna cervical. Além de alterações metabólicas, como aumento do colesterol e dos triglicérideos e o surgimento do diabetes tipo 2. Os pacientes também sofrem com distúrbios emocionais e psiquiátricos, que provocam perda da auto-estima, problemas familiares, exclusão social e, o que é mais grave, abandono do tratamento, que leva ao agravamento da doença.

Alguns efeitos anatômicos (ou corporais) da lipodistrofia são irreversíveis.
O aumento da gordura central - tanto no abdome, quanto na base do pescoço (giba) - pode acarretar dores musculares, cervicalgias e lombalgias. A diminuição da gordura periférica (atrofia de braços e pernas e nádegas) pode ser intensamente pronunciada, levando à formação de escaras na região das nádegas.

Todas essas mudanças, fisicamente visíveis, acarretam diminuição ou perda da auto-estima, exclusão social e dificuldades no relacionamento familiar. Por conta disso, os pacientes sofrem com distúrbios psicológicos ou psiquiátricos que contribuem para o abandono ao tratamento.

Não menos relevantes são as alterações metabólicas, como aumento do colesterol e dos triglicérideos e o surgimento do diabetes tipo 2. O controle do diabetes, especificamente, muitas vezes é comprometido pela dificuldade em se prescrever tratamentos menos tóxicos, porém capazes de evitar a replicação do vírus HIV nesses pacientes.

Causas - Quando os primeiros casos de lipodistrofia surgiram, em meados da
década de 90, os especialistas achavam que a manifestação era um efeito colateral dos inibidores da protease. Hoje, porém, sabe-se que a idade avançada, o HIV e outros medicamentos utilizados para o tratamento de aids também contribuem para o aparecimento e o agravamento da síndrome.

Os primeiros casos relatados foram de acúmulo de gordura na região do abdome, alargamento da região posterior do pescoço e, nas mulheres, aumento do volume das mamas. Depois, foram descritos casos de perda de gordura na face, nas nádegas, nos braços e nas pernas, causando enrugamento da face (envelhecimento precoce). Afinamento dos membros superiores e inferiores e visualização de músculos e vasos sangüíneos superficiais também são manifestações clínicas da síndrome.

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