TARV reduz em 85% a mortalidade por Aids em São Paulo, revela estudo do CRT DST/Aids SP

Estudo de sobrevida desenvolvido no Centro de Referência e Treinamento DST/Aids-SP confirmou o sucesso da política nacional de combate à epidemia de HIV/Aids e os excelentes resultados obtidos com o acesso livre e universal aos antirretrovirais. A pesquisa foi realizada pela epidemiologista Mariza Vono Tancredi, como tese de doutorado, sob a orientação do Prof. Dr. Eliseu A. Waldman da Faculdade de Saúde Pública da USP.

Nesse estudo, observou-se uma população adulta de 6.594 pacientes com Aids, no período de 1988 a 2003, acompanhados até 2005, e identificou-se expressivo aumento da sobrevida na era pós-HAART (terapia antirretroviral de alta potência). Observou-se que a probabilidade de sobrevida até 108 meses, entre os pacientes com diagnóstico de Aids ocorrido no período de 1988 a 1993, foi de 10,6%; para os pacientes com diagnóstico de Aids ocorrido no período de 1994 a 1996, foi de 24,4% e; com diagnóstico no período de 1997 a 2003, foi de 72%.

Outro estudo realizado em 2007, na região Sul e Sudeste do Brasil por Guibu e colaboradores, com pacientes diagnosticados entre 1998 e 1999, mostrou que 59,4% deles sobreviveram até 108 meses (nove anos). A introdução dos esquemas antirretrovirais de alta potência apresentou expressivo impacto nas taxas de mortalidade por Aids no CRT, que foi crescente até 1994, ponto a partir do qual apresentou declínio de 84,5% até 2003.

Segundo Tancredi, a sobrevida nesse estudo foi associada aos seguintes fatores preditores: período de diagnóstico de Aids, idade na época do diagnóstico, categoria de exposição, escolaridade e contagem de células CD4.

Para os que tiveram diagnóstico de Aids feito entre 1988 e 1993, o risco de óbito foi 3 vezes maior, comparado com os diagnosticados entre 1997 e 2003. Em relação à idade, o risco de óbito dos indivíduos com mais de 50 anos foi duas vezes maior do que entre jovens de 13 e 29 anos.

Para aqueles que adquiriram o vírus por meio de uso de drogas injetáveis o risco de óbito foi 50% maior quando comparado aos heterossexuais. Os pacientes que não tinham nenhuma escolaridade apresentaram um risco 2 vezes maior de morrer do que aqueles com mais de 8 anos de estudo.

Por último, a contagem de CD4 também foi um fator associado à sobrevida dos pacientes com Aids, pois entre os que tinham CD4 abaixo de 350 cel/mm³, o risco de óbito foi 30% superior quando comparado aqueles com CD4 acima de 500 cel/mm³. Segundo Tancredi, “os fatores associados à sobrevida dos pacientes com Aids do CRT são os mesmos apresentados em estudos internacionais”.

De acordo com a pesquisadora, o aumento da sobrevida dos pacientes do CRT se deve além do uso da terapia antirretroviral de alta potência, à qualidade do serviço prestado na instituição e ao empenho da equipe multidisciplinar.

Fonte: CRT DST/Aids de SP
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